Diferentes papéis, mesmas competências

Por: Gabriela Techio – Consultora de Carreira – 

Diariamente ocupamos diferentes papéis, tal como o de trabalhador, cônjuge, pais, cidadão, entre outros que demandam tempo e energia. Antigamente cada papel era delimitado por fronteiras espaciais e temporais rígidas, que separavam o “ambiente profissional” da “esfera pessoal”. Porém, as mudanças sociais, culturais e, principalmente, tecnológicas acabaram por romper com as barreiras que segmentavam a rotina das pessoas. Hoje a vida em sociedade é marcada pela facilidade de contato, em que tudo é mais rápido e fluído.

Nesse mundo quase sem fronteiras os indivíduos assumem os mais variados papéis em questão de minutos. Como, por exemplo, aquele trabalhador que para de escrever um relatório porque recebe uma ligação de seu filho. Ou aquele outro que pausa o filme em uma quarta-feira à noite porque recebeu um e-mail de um cliente e precisa respondê-lo com urgência. Por vezes, essa rotina acelerada afeta o bem estar e resulta em adoecimento psicológico e físico. Porém, sem questionar sobre o quanto isso é benéfico ou não para o indivíduo, mas pensando que a permeabilidade e flexibilidade das fronteiras entre os papéis parece ser um caminho sem volta, como podemos olhar para isso de modo positivo?

Muito se comenta sobre as competências necessárias para se inserir e manter no mercado de trabalho, tal como a capacidade de negociação, gestão de tempo, comunicação, saber delegar tarefas, resolução de conflitos, entre outras. Todavia, essas competências não são desenvolvidas e exigidas somente no domínio profissional. Cada vez que uma pessoa organiza a rotina da casa e encarrega um dos membros da família por determinada função, ela está aprendendo a gerir seu tempo e a delegar tarefas. Sempre que um casal negocia os acordos da relação e divide as responsabilidades, eles desenvolvem sua capacidade de negociar e de comunicar. Do mesmo modo, quando os filhos discutem e os pais precisam apaziguar a situação, eles utilizam sua capacidade de solucionar conflitos.

Frequentar diferentes domínios e conciliar múltiplos papéis permite que o indivíduo aprimore suas competências, que serão úteis para dar conta das mais diversas demandas de modo eficiente. Isso porque a visão que divide a experiência dos indivíduos entre “ambiente profissional” e “esfera pessoal” já não se sustenta. O indivíduo é um ser único e complexo e deve ser compreendido em sua totalidade.

Portanto, em um contexto caracterizado pela ameaça do fim das fronteiras que delimitam o lugar e o momento em que cada papel deve ser assumido, é tarefa do indivíduo buscar a integração dos domínios nos quais circula por meio da transferência de competências. É através dela que ele poderá ser um trabalhador, pai, mãe cônjuge e cidadão mais assertivo. Cabe ressaltar que integrar não pressupõe que todas as demandas sejam atendidas ao mesmo tempo, saber elencar prioridades também é importante. A integração diz respeito à possibilidade de tirar proveito e se desenvolver em uma rotina com múltiplos papéis e funções a partir de uma visão positiva da realidade.

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